A ACRJ - Associação Comercial do Rio de Janeiro, em novembro, patrocinou o 10 Fórum para o Desenvolvimento Sustentável da Cidade do Rio De Janeiro - RIO TURISMO + 20, do qual participei e achei o evento muito interessante, sobretudo por ser um Fórum ligado a área de turismo, com a visão para um evento sustentável, como meta os próximos 20 anos.
A indústria do turismo é, no mundo inteiro, principal fonte de recursos e de renda em muitos países. Recentes pesquisas mostram que o Rio de Janeiro vem perdendo, ao longo dos últimos anos a sua importância na economia nacional, portanto “Reinventar o Rio de Janeiro é a Prioridade”.
As causas para esse esvaziamento econômico estão na falta da competitividade tributaria, a alta taxa de violência urbana, o baixo investimento na infra-estrutura, o fraco dinamismo da cidade e a falta de empreendimentos. O Fórum apontou setores econômicos que são prioritários para a recuperação do Rio de Janeiro e dentre eles, o turismo se destaca devido a vários pontos relevantes da nossa “Cidade Maravilhosa”.
A Cidade do Rio de Janeiro é historicamente e ainda permanece, a capital cultural do país e detêm a referência na área de turismo em todos os cantos do mundo. Entretanto, a cada ano que passa estatísticas comprovam que esta havendo uma fuga de demanda. O Rio de Janeiro precisa retomar seu processo de crescimento seguindo o exemplo de outras cidades do mundo que se Reinventaram identificando suas reais vocações.
Um Plano Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável foi no Fórum, o principal desafio lançado para a sociedade civil e para o setor publico como um todo, tendo sempre o turismo como seu principal pilar. Para o sucesso do Plano, toda a Sociedade Civil precisa se organizar a fim de influir de maneira positiva nas políticas de desenvolvimento local, definindo aí os projetos realmente estratégicos para o Rio de Janeiro.
O objetivo desse 10 Fórum foi chamar a atenção de toda a sociedade para a discussão da importância do turismo no processo de Revitalização do Rio de Janeiro. Foram levantados gargalos estruturais como a dificuldade para a realização de negócios, num ambiente hostil para as micro e pequenas empresas, que mesmo com todas as dificuldades são ainda, responsáveis pela maior parte de geração de empregos. A carga tributária é muito elevada, a falta de infra-estrutura, a violência urbana, o desrespeito aos direitos de propriedade e a dificuldade de linhas de crédito para as micro, pequenas empresas e para as cooperativas, foram destacados.
A intransponível BURROCRACIA é tão maléfica que, para se abrir uma empresa no Rio de Janeiro são necessários 15 procedimentos legais e chega a alcançar para a liberação final 80 a 100 dias. Se fizermos uma comparação com Minas Gerais, os procedimentos caem para 5 e a liberação para 19 dias no máximo. Em países como a Austrália são 2 dias e na Nova Zelândia, instantaneamente pela Internet. Estamos ou não estamos na IDADE DA PEDRA?
Na burocracia da Justiça, um processo de dívida no Rio de Janeiro levamos cerca de 815 dias já em São Paulo, a mesma causa leva 546 dias e, se compararmos com o Mundo, vemos que realmente estamos na IDADE DA PEDRA e que temos muito a aprender, pois na Tunísia, um processo é resolvido em 27 dias. O Banco Mundial, em dados recentes, culpa a complexidade do sistema como o responsável pela alta carga tributaria do nosso país. As taxas e a burocracia do Rio de Janeiro são as maiores de todo o resto do país, afugentam as empresas e alimentam a informalidade.
Por termos a terceira maior população do país, nosso estado, devido ao seu pequeno espaço físico é o mais favelizado e também é o que mais se faveliza, no dia a dia. A taxa de imóveis irregulares chega a 45%. Em contra partida, as razões para sermos um foco de turismo são evidentes por sermos o Estado mais Metropolitano do país, seja em termos demográficos ou econômicos.
O desemprego está em alta e há uma clara evidencia da decadência econômica. O IDH com uma taxa de alfabetização baixa e sem evolução. A Cidade necessita de políticas sérias e objetivas, não de caráter eleitoreiro, mas sim de medidas efetivamente saneadoras.
Junto com os participantes do Grupo 4 “Políticas para o Desenvolvimento do Turismo”, sugerimos medidas que visam a melhoria das condições de infra-estrutura da Cidade, tais como:
* Diminuir, com projetos públicos, a taxa de favelas, sem altos investimentos e sem projetos megalomaníacos;
* Criar melhores condições de transporte urbano e de turismo - maior integração Metrô/Ônibus;
* Segurança pública com mais efetividade e menos aparatos televisivos e cinematográficos;
* Criação de cursos de capacitação para pessoas ligadas ao turismo, criando mais parcerias com o Sebrae e outros Órgãos Públicos e privados;
Todavia, todas essas medidas só resultarão em benefícios, se os governantes que estarão no comando dessas atitudes para o bem do futuro do nosso Estado, estiverem comprometidos e engajados com elas, ai sim, podemos ainda que nesse cenário nebuloso, vislumbrarmos a esperança de dias melhores, RECRIANDO O RIO DE JANEIRO.
Ocorrendo o comprometimento dos governantes na efetivação dessas medidas discutidas e analisadas no Fórum e criando um elo (autoridades e sociedade civil) em 2027, teremos alcançado a realização de um sonho. Entretanto minhas duvidas são latentes em face ao que acontece hoje na Freguesia, cujas obras do “Rio-Cidade” estão se arrastando como uma lesma vergonhosamente, por quase 2 longos anos e pelo que sentimos outros tantos, talvez não sejam suficientes para o termino das mesmas.
Outro fator desfavorável ao nosso otimismo são as obras dos Jogos Pan-Americanos, já que até agora nenhuma obra esta concluída. Agora, com muito mais razão, sinto que vamos passar o maior MICO DO MUNDO!
Como confiar em um Rio de Janeiro melhor com um quadro desses? Mas de uma coisa eu, carioca roxo e rubro-negro fanático, afirmo em alto e bom som, O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO.
Fonte: Jornal Condomínios Em Foco